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Fragmentado | Crítica


Fragmentado (Split)
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor-Joy, Betty Buckley
Direção: M. Night Shyamalan
Lançamento: 23 de Março de 2017 (Brasil)


Chegando com o devido atraso aos cinemas brasileiros, o novo longa dirigido por M. Night Shyamalan e estrelado por James McAvoy vem tratar sobre um assunto explorado com excelência pela ficção, o T.D.I ou Transtorno Dissociativo de Identidade. Consagrado, ainda nos anos 60, por Hitchcock em seu clássico Psicose, e trazido recentemente à tona com a nova encarnação de Norman Bates, agora na pele de Freddie Highmore em Bates Motel, esse transtorno levanta diversas discussões, cinéfilas ou não, à respeito de sua existência, suas circunstâncias e seu tratamento.

Atendo-se ao longa, vemos a história de Kevin Crumb, um homem comum que sofre de T.D.I, possuindo em seu corpo 23 personalidades distintas, após perder a batalha para duas das personalidades mais assustadoras, Kevin sucumbe, dando lugar então aos planos de Dennis, um obcecado por limpeza que sofre de transtorno obssessivo-compulsivo e Patricia, uma fanática religiosa, de trazerem à vida uma vigésima quarta personalidade, aqui conhecida como “A Besta”. Para que tal plano se concretize, Dennis então sequestra três adolescentes, que servirão como sacrifício para que A Besta surja. Começa então a luta das três jovens pela vida, tentando fugir do inóspito lugar onde são mantidas.

O filme tem um clima obscuro, sem alívios cômicos, demonstra a constante luta das distintas personalidades para se manterem no controle do corpo do personagem, como também os esforços da sua psiquiatra, a doutora Karen Fletcher (Betty Buckley) para entender o transtorno vivido pelo seu paciente, assim como entender como ajudá-lo. Vemos que ao tratar do T.D.I, Shyamalan prega a ideia de entender o diferente como algo superior, está intrínseco na nossa sociedade a mentalidade de ver o diferente como algo marginalizado ou incapaz de se relacionar com o mundo exterior.

Entender que cada personalidade pode modificar o cérebro de uma maneira que altere toda a funcionalidade do indivíduo, dá ao filme o perfil do que poderíamos chamar de um super herói da vida real, onde o diretor trabalha com a ideia de que Kevin, poderia ser capaz de coisas que à nossos olhos seriam totalmente impossíveis, isso fica evidente no filme. Mas não é so do T.D.I que falamos aqui, o filme tenta abordar, sem fugir de seu tom e de sua premissa que muitas vezes os “problemáticos” são apenas incompreendidos.

James McAvoy desempenha um papel brilhante no filme, destaque para sua atuação como Hedwig, uma criança de nove anos, algo que já se espera de alguém que aceite desempenhar uma atuação com tantas vertentes absolutamente distintas, mas por vezes, à sua atuação muda instantaneamente tornando ainda mais crível o transtorno vivido pelo personagem.

Também deve se destacar à personagem vivida por Anya Taylor-Joy, uma das jovens sequestradas que possui um caráter extremamente forte e um instinto de sobrevivência apurado, no decorrer do filme descobrimos mais sobre os traumas vividos pela jovem Casey e passamos a entender sua personalidade e sua interação com às outras meninas e até com as distintas personalidades de Kevin, agregando também ao debate levantado pelo filme à respeito do impacto que os traumas e transtornos possuem nas vidas dos indivíduos e de como eles são observados pelo restante da sociedade.

Não é exagero algum dizer que Fragmentado é o melhor filme de Shyamalan, mas caso os saudosistas ainda queiram se manter fieis aos seus antecessores, podem, sem medo, assistir ao novo filme do diretor, sabendo que encontrarão aqui o melhor que o diretor tem a oferecer e todos os elementos que o consagraram no mundo dos thrillers.


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