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Deuses Americanos - 1ª Temporada | Crítica



Deuses Americanos (American Gods)
Elenco: Ricky Whittle, Ian McShane, Emily Browning, Pablo Schreiber
Criação: Bryan Fuller e Michael Green
Estreia: 30 de abril de 2017



"Já viu um homem enforcado, Shadow? A garganta esmagada, ofegando pela vida. Então sabe que é um péssimo jeito de encontrar a sua fé. A fé não precisa deixar os fiéis pendurados. [...] Você é o que você adora". - Vulcan.

Existe um desafio em definir e explicar Deuses Americanos. É como se a ideia de fé abordada na série fosse trazida ao mundo real. Um equilíbrio quase imperceptível entre "você não vai acreditar" e "você não vai entender".

De maneira simplista -e se fosse necessário resumir em apenas uma frase-, o roteiro é sobre a batalha entre deuses novos e deuses antigos no mundo atual. Porém, logo nos primeiros episódios é possível perceber que a trama vai muito além disso. E para os que acreditam que "as primeiras impressões" é que ficam, bem, esta série chegou para quebrar conceitos pré-formatados mesmo.

Shadow Moon, interpretado por Ricky Whittle (The 100) pode ser chamado de personagem principal da série. Não porque a história rege em torno dele, mas porque a evolução dele dentro da história abre portas para o espectador entender melhor tudo o que acontece. Tanto Shadow, quanto quem está assistindo, parte do ponto da confusão e do total desentendimento e descrença e vai desenvolvendo a fé na história e nos personagens ao longo dos episódios.

O objetivo de Deuses Americanos não é o puro questionamento da fé por ela mesma, mas sim onde a crença da sociedade está. Se para melhor entendimento é necessária uma comparação, é possível parafrasear uma citação de George Orwell: "Todos os deuses são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros".

Diferentes culturas, mitologias e religiões são mostradas ao longo da série. Algumas propositalmente distorcidas, outras propositalmente supervalorizadas. A questão é que a diversidade faz a história. E a comparação entre o que seriam os "deuses novos" e os "deuses antigos" deixa o enredo complexo e intrigante ao mesmo tempo. A reflexão, apesar de parecer complicada, dá-se na sociedade e no prestígio das futilidades da vida, e essa "guerra entre deuses" se pauteia justamente na divisão entre banalidade e crença.

Não é fácil entender a abordagem universalista da série assim que se começa a assistir e isso pode gerar uma frustração. Todavia, como Mr. Wednesday adora dizer: "você está apenas confuso. Tem milhares de perguntas, mas não sabe como fazê-las.".

Em resumo, Deuses Americanos não é uma série de entretenimento e quando se começa a assistir, é praticamente impossível não parar apenas quando se chega ao último minuto do último episódio. Dê-se o luxo de ser arrematado à história e vá de mente aberta. A discussão filosófica por trás da ficção pode te levar à insanidade ou ao credo. A verdade é: se você acredita, sua fé vai se tornar ainda mais forte. Se não, com certeza, vai passar a acreditar.

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