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De Canção em Canção | Crítica

De Canção em Canção (Song to Song)
Elenco: Ryan Gosling, Rooney Mara, Michael Fassbender, Natalie Portman, Cate Blanchett, Holly Hunter, Val Kilmer
Direção: Terrence Malick
Estreia: 20 de julho de 2017

★★

Eis aqui o novo filme do cultuado diretor Terrence Malick e junto com ele algumas dúvidas sobre se ele ainda consegue acertar nos seus filmes mais recentes. Para muitos, "Árvore da Vida" foi seu último trabalho verdadeiramente respeitável e admirável, sendo essa nova fase de filmes pós 2011 uma mistura de alguns acertos com muitos erros. Em "De Canção em Canção" o diretor se une novamente ao espetacular diretor de fotografia Emmanuel Lubezki para trazer imagens estonteantes, um elenco especialmente estrelado e uma narrativa que deixa a desejar em sua essência.

Não existe tal coisa de que o filme "não tem história". É preciso entender (ou tentar pelo menos) que a visão cristã de Malick traz uma narrativa aqui de redenção para os personagens. Há uma aproximação tamanha no escopo da moral e das atitudes dos personagens, que ao final do longa traz a sensação de que o filme poderia ter aproximadamente 40 minutos a menos. Os sussurros e a narração ao fundo nas cenas onde Malick aproveita o melhor de Lubezki entendiam o espectador de modo a não aproveitar os momentos onde o silêncio ou a trilha sonora deveriam funcionar perfeitamente.

O "paraíso" de Malick neste filme é romantizado, um lugar não-físico onde há a redenção moral dos personagens. Em "Árvore da Vida" este paraíso era a infância. Em "De Canção em Canção", é o personagem de Michael Fassbender que se assemelha à cobra no Jardim do Éden, corrompendo o paraíso da personagem de Rooney Mara. Conectar-se com a transcendência dos temas cristãos que Malick reproduz é o passo de entender a urgência e a sua retalhada forma de contar histórias: de pouco a pouco.

Desafiador ou arrogante, essa obra ainda é o estilo tradicional do diretor após "Árvore da Vida". Isso não significa que o filme caçoa de nossa cara, mas que questiona, se afirma e tem, no mínimo, personalidade. Em algumas partes, a impressão é de que os atores improvisaram as falas. O roteiro fala muito alto onde deveria se calar, e parece que simplesmente não existe onde precisa se estabelecer. O filme é deprimente e extremamente pessimista, revelando uma metanarrativa imposta pelo diretor de modo a abandonar a perspectiva mais otimista, levando a história para uma meditação sobre o estilo de vida fora de seu "paraíso" ou apenas: "Porque assisti isso?"

Para os espectadores de primeira viagem, entender "De Canção em Canção" pode ser uma viagem longa, chata, entediante, mas em alguns momentos muito bonita. Aos que já se aventuraram nas águas de Terrence Malick, ver um grande elenco como este será gratificante. Além disso, as reflexões propostas pela narrativa devem agradar os mais atentos às vaidades de nossa era. Há poucos acertos para muitos erros que deixam a jornada bem desinteressante, e ao final deixa ainda mais forte a dúvida: será que algum dia veremos novamente o Malick do seu aclamado filme de 2011? Por enquanto temos um diretor perdido em sua maneira única de fazer filmes, acertando "sem querer" numa obra claramente confusa em sua totalidade.

 

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