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Planeta dos Macacos: A Guerra - Crítica

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes)
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Gabriel Chavarria, Judy Greer 
Director: Matt Reeves
Estreia: 03 de agosto de 2017


O cinema atual está recheado de grandes franquias, que se iniciam umas após as outras e que por muitas vezes não possuem o menor planejamento de chegar a um final digno. Talvez em meio à constante necessidade de fazer dinheiro com um sem número de filmes, os produtores não parem para pensar que os finais são tão importantes quanto o início e que muito do legado de uma obra está no modo que ela se encerra.

Numa corrente contrária à todos esses filmes, temos a trilogia que serve como prelúdio à clássica obra Planeta dos Macacos, esta série, partiu de uma ideia muito bem delineada, contando uma história de origem já direcionada para um final apoteótico e dotado de extrema tensão e emoção.

Tendo seu último capitulo dirigido por Matt Reeves, que recentemente foi anunciado como o homem que dirigirá o Batman no Universo DC e se boas referências forem o que os fãs do morcego buscam, então Planeta dos Macacos: A Guerra é uma delas.

Nesse último filme, vemos que se a tradução do título fosse feita ao pé da letra, talvez a compreensão ficasse mais acertada, seria algo como “Guerra pelo Planeta dos Macacos”, até porque o vírus que foi espalhado após o surgimento dos símios desenvolvidos já, praticamente, dizimou a raça humana, restando apenas uma última linha de defesa. Em meio à isso, César e seu bando, agora mantem-se escondidos na mata e tentando ficar longe de problemas, porém os humanos, como é de sua natureza, sempre buscam o conflito afim de demonstrar sua supremacia, mesmo quando esta já se mostra extinta.

Os personagens que giram em torno do líder, já bem trabalhados ao longo dos demais filmes, fazem seus papéis de forma competente ao seguir fielmente o seu líder, mas sem abrir mão de suas convicções e sempre dispostos à se colocar frente à César quando imaginam que suas atitudes estão se pautando na vingança ou no ódio. A expressão muito utilizada “Macacos. Unidos. Fortes!” é extremamente valiosa para todos, a base da sociedade formada por eles e nem mesmo seu líder pode desrespeitar tal ideal.

Um toque de sensibilidade é trazido ao filme com a garotinha “Nova”, um fio de esperança para uma raça que há muito já perdeu a compaixão, perdeu-se exatamente em sua paranoia de não se enxergar mais como dominante e se encontrar em meio à extinção certa pelo simples fato de não aceitar coexistir, não aceitar a revolução que a mãe natureza propôs em face dos inúmeros avanços desmedidos da ciência. Outro personagem introduzido nesse filme é o macaco “bad ape” ou “macaco mau”, que foi criado em um zoológico e fugiu após o surto do vírus, ele claramente demonstra uma aversão aos “humanos maus” e apesar de todos os seus traumas, por vezes é o alivio cômico do filme.

A questão central desse prelúdio sempre foi demonstrar a relação entre a criação e o criador, como a busca desenfreada pelo desenvolvimento poderia culminar na própria subjugação da humanidade frente à uma outra espécie. Se no segundo filme, já vimos a ideia de que a formação de uma sociedade, por mais primitiva que seja, já implica em conflitos internos, ao presenciarmos à guerra interna de César e Koba, o terceiro filme amplia essa visão, mostrando macacos que se aliam às tropas humanas, mesmo sabendo das intenções dos seus novos aliados.

Isso só retrata mais um ponto importante tratado por Reeves, como um grupo pode ir de encontro à sua própria espécie, defendo os interesses de seus perseguidores? Em que momento o simples fato de não compactuar com as ideias de um líder o coloca em um lado oposto na luta por um ideal em comum? Essas são questões muito bem levantadas ao longo do filme, assim comos nos demais e que dá um toque ainda mais importante à todo o longa.

É realmente gratificante e emocionante encarar o fim da jornada de César, o que não significa que seja o fim da jornada dos macacos, uma mitologia tão rica e criada há muito tempo atrás, mas que realmente necessitava de uma repaginada e de uma nova visão, de uma ideia mais realista e mais pautada nas nossas relações atuais, não só com nossa própria espécie, mas também com todas as outras espécies que coexistem nesse planeta.

Como legado, fica uma verdadeira revolução pro gênero de ficção cientifica, uma obra dotada de originalidade, como há muito não se via, um espetáculo de efeitos visuais, mas sem abrir mão de uma narrativa maravilhosamente cativante e dotada de uma relevância para o mundo atual.

Ah! Antes que eu esqueça, por favor alguém dê um Oscar pro Andy Serkis!!

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