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Atômica | Crítica


Atômica (Atomic Blonde)
Elenco: Charlize Theron, James McAvoy, Sophia Boutella
Direção: David Leitch
Estreia: 31 de agosto de 2017

★★★★


"Leste e Oeste não desconfiam um do outro porque estamos armados. Nós estamos armados porque desconfiamos um do outro. E nossas diferenças não são sobre armas, mas sobre liberdade." - Ronald Reagan, Berlim, 1987.

David Leitch vem surpreendendo com seus longas de ação-thriller de forma que o público sai do cinema querendo mais. Com John Wick: De volta ao Jogo, ele provou que sabe fazer um filme com personagens muito fortes e cenas de pancadaria incríveis. Com Atômica, ele provou que não só sabe fazer isso, mas sabe que Charlize Theron está mais do que à altura de Keanu Reeves.

O longa se passa na dividida Berlim de 1989, dias antes da queda do muro. O enrendo traz em si um assassinato, uma lista de fontes e as milhares faces das agências de inteligência inglesa, americana e russa. Esse cenário todo é a missão de Lorraine Broughton, agente do MI6.

Charlize Theron dá vida a Lorraine, a protagonista. De ar empoderado, mas vulnerabilidade feminina, é interessante ver a personagem como forte, preparada e pronta pra tudo, mas não imortal e intocável. Theron tem se provado cada vez mais capaz de grandes papéis: Furiosa (Mad Max) e Cipher (Velozes e Furiosos 8) foram precursores que moldaram a atriz para ser, de fato, Atomic Blonde. Com a ideia de representatividade feminina em alta, Lorraine entra para a lista de mulheres decididas e que sabem se virar, e é mais uma para ser "modelo revolucionário" do "lute como uma garota". E apesar de ser difícil descrever a atuação impecável de Charlize, o público fica, no mínimo, pasmem com as cenas de luta da atriz. Como dizem por aí: "Rainha né, mores!". 

Tudo que gira em torno de Charlize é muito bem construído. O figurino é um dos pontos chave da personalidade de sua personagem que inclusive brinca com isso em meio a alguns diálogos. O corpo da atriz também é outro ponto forte. Definido e cheio de cicatrizes, mostra que Lorraine Broughton não é uma agente qualquer e está na ativa pra valer. 

Os outros atores do filme, apesar de seus papeis também fortes durante o longa, estão presentes para enaltecer a protagonista. James McAvoy é David Percival, um agente trabalhando em Berlim e que, de certa forma, faz a missão de Lorraine girar e acontecer. Imprevisível, problemático e sarcástico 100% do tempo, McAvoy faz uma atuação tão incrível, que é praticamente inevitável não imaginar um spin-off de seu personagem, além de dar a história outro ponto de vista. As cenas de Percival e Broughton são tão intensas que quase pedem que eles fiquem juntos, mesmo, desde o começo, o filme deixando claro que isso seria irreal.

Outra personagem importante do longa é Delphine, exercida por Sophia Boutella. Apesar de ter um background no mundo da dança, Sophia tem ganhado força e espaço no universo cinematográfico e entregado muito bem seus papéis. Depois de anti-heroína em Kingsman e vilã em Múmia, agora faz o par romântico de Theron. Desde o trailer é possível ver que o romance de Lorraine e Delphine vai ser não menos que intenso. Além de uma imagem sexy e um jeito galanteador, a personagem de Sophia dá um ar sensualmente artístico para a visibilidade LGBT.  

A trilha sonora de Atômica também merece destaque. George Michael, David Bowie e Queen são só alguns dos grandes nomes selecionados para compor as passagens do filme. Deixar o instrumental nas mãos de Tyler Bates (Guardiões da Galáxia) é garantir uma conexão música-cenas perfeita. Não só porque o enredo passa na virada dos anos 90, mas todo o clima de ação, revolta e divisão em que Berlim se encontrava faz com que a trilha pesada seja marcante, literal e metaforicamente.

Apesar do roteiro e da história serem propositalmente confusos e as passagens de cenas, talvez, deixarem o público um pouco perdido, Atômica é um filme importantíssimo para o cenário cinematográfico atual, pois traz em si conceitos que necessitam ser lembrados e relembrados todos os dias. A força da história, a força de um governo, a força de um povo e, principalmente, a força de uma mulher. 





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