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Polícia Federal: A Lei é Para Todos | Crítica

Polícia Federal: A Lei é Para Todos
Elenco: Antonio Calloni, Marcelo Serrado, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevsky, Ary Fontoura
Direção: Marcelo Antunez
Estreia: 7 de setembro de 2017

★★ 

É complicado escrever sobre um filme de um fato político e policial recente que toma partido numa história dualista. É preto ou branco. É como o lado negro da força contra o lado da luz, só que com policiais e empreiteiras. Polícia Federal não é imparcial, e isso é bom. Agora tratando de cinematografia, há um desperdício de potencial gigantesco de um ótimo thriller investigativo, que se torna, no fim das contas, uma vídeo aula de quase duas horas de como se deu a operação Lava Jato.

No subtítulo do longa há a promessa de uma narrativa dos bastidores da maior operação anti corrupção do país, e infelizmente ela se desfaz com muita má vontade. Não há nada de efetivamente secreto vindo à tona nesse filme, apenas personagens que são caracterizados como perfeitos buscando uma redenção coletiva (no caso, de todo um país). Os personagens principais não cometem erros, principalmente o personagem de Antonio Calloni, que assume o papel de liderança do grupo que conduziu a Lava Jato (que na vida real é o delegado Igor de Paula). Os policiais no filme são o bem, a força e a lei. Todo o resto é plausível de ser o inimigo.

Há uma justificativa histórica da corrupção no filme que embaça a visão de alguns conceitos. "Mas no Brasil se rouba desde 1500". Estaria o roteiro buscando uma forma de não se tornar uma obra datada adiantando o que pode ser a "pizza" da operação dentro de algum tempo? Ou simplesmente mostrar ao espectador que independente da ação dos "Vingadores" da Polícia Federal, a corrupção sempre vai existir porque sempre existiu? De qualquer forma, esse conceito de justificativa histórica deturpa qualquer mensagem do filme além da ideológica. Efetivamente não se mostra como uma lição de moral como em uma fábula, ao passo que também não apresenta um contraponto moral que não fique na mesmice.

E esse mesmo roteiro, indo direto ao ponto, é um desserviço ao cinema nacional. Fraco, explicativo, repetitivo e cansativo. As falas são desprovidas de qualquer sentimento. Há momentos de explicação em excesso no filme, beirando a subestimação da inteligência do espectador. Uma cena em específico que mostra a mediocridade das falas do filme, onde o filho de Moro pergunta ao pai se pode chegar às duas da manhã em casa. Aliás, a participação do juiz Sérgio Moro (Marcelo Serrano) é de aproximadamente 10 falas, várias caras sérias de indiferença e só. 

O filme engata mesmo como um thriller quando há a procura para um depoimento do ex-presidente Lula (Ary Fontoura). Gostaria, inclusive, que o papel do ex-presidente ficasse com qualquer imitador do mesmo, pois a atuação de Ary é repugnante. O roteiro não ajuda e o ator claramente não está confortável no papel. Contudo, toda a preparação para o encontro com Lula, o depoimento, os protestos e a tensão na Sala da Presidência da República no aeroporto de Congonhas deixam o espectador tenso e cria um clímax de extrema delicadeza e iminência de algum erro grave que comprometa a segurança de uma figura tão aclamada como Lula. Todo o potencial do filme é mostrado aí, como uma amostra do que o filme podia ser, mas logo volta à mesmice ideológica seguida de aborrecimento com as tentativas de convencer quem assiste o filme de que a polícia chegou num culpado: Lula e o PT, e o resto é história. Porém, nesse clímax, ponto positivo para Marcelo Antunez pela direção cautelosa.

As cenas de ação não são ruins, e até movimentam a história para não se tornar o filme mais monótono dos últimos anos. Se houve uma trilha sonora no filme, ela passou totalmente desapercebida. A participação de um pensamento diferente no filme? Uma jornalista de esquerda que, curiosamente, não é caricatural. Pelo contrário, é contundente com a cobertura da mídia esquerdista no decorrer dos acontecimentos. Há também o pai do personagem de Bruce Gomlevsky, mas não há profundidade nem conteúdo relevante no seu desenvolvimento. O áudio do "bessias" termina esse fracasso de filme em péssimo estilo.

Claramente feito para endeusar e redimir o trabalho da Polícia Federal, esse filme não avança em absolutamente nada além do que foi visto na mídia desde o começo da operação. Como obra cinematográfica é ruim, como fonte de material histórico é duvidoso e como entretenimento, bem, vai depender da sua orientação política. Se lhe parece interessante ver o juiz Sérgio Moro abrir seu computador várias vezes e ter longas e excessivas explicações de como era o grande esquema de corrupção investigado, talvez o ingresso valha a pena. Do contrário, pule esse filme e valorize boas obras do cinema nacional. Essa não é uma delas.

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