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Preacher - 2° Temporada | Crítica

Preacher - 2° Temporada
Elenco: Dominic Cooper, Ruth Negga, Joseph Gilgun, Ian Colletti, Graham McTavish
Criação: Seth Rogen, Evan Goldberg, Sam Catlin
Estreia: 25 de junho de 2017


★★★★

“- Ouvi dizer que existem dois lugares onde encontrar Deus: na igreja ou no fundo de uma garrafa. - Então vamos procurar uma loja de bebidas, porque eu digo: na igreja é que ele não está.” (Jesse Custer – Preacher #01)


Preacher é a obra suprema de Garth Ennis, onde ele despejou toda sua munição contra a religiosidade e o fanatismo exarcebado da sociedade como um todo, os quadrinhos foram publicados pelo selo Vertigo que é conhecido por não censurar de forma alguma o conteúdo de suas publicações.

Por esse motivo, a adaptação da obra pra TV americana encontrava-se recheada de incógnitas, sobre como a série faria para abraçar o humor negro e violência exagerada de Ennis sem gerar uma completa revolta do restante do público culminando num possível cancelamento do show, ou por outro lado, o que aconteceria se a produção omitisse tudo que transformou a saga num épico dos quadrinhos?

A resposta veio em alto e bom som com as primeiras duas temporadas, sendo que apenas a segunda adentrou no universo criado nos cultuados quadrinhos, após um ano que serviu como “iniciação” para os não conhecedores do universo de Jesse Custer e cia.

Nesta temporada, a busca por Deus finalmente começou e se isso já não fosse surreal o bastante, o trio formado por Jesse (Dominic Cooper), Tulipa (Ruth Negga) e Cassidy (Joseph Gilgun) ainda tem que lidar com o Santo dos Assassinos (Graham McTavish) que foi contratado por anjos para dar um fim no Pastor.

Sob boas doses de um humor negro quase que incessante e cenas de extrema violência, muitas vezes até gratuita (com direito até a cena de porradaria ao som de My Sweet Lord do George Harrison), a série segue o mesmo rumo da obra que lhe inspira. Tomando a devida liberdade pra desenvolver aspectos específicos dos personagens, que nem sempre foram tratados nos quadrinhos.

A jornada de Jesse, apesar de ser incrivelmente insana, não é confusa para quem vê Preacher, pois cada ponto que vai sendo levantado, terá sua participação na trama explicado em um momento ou outro, vide o episódio final da temporada.

Em relação aos seus companheiros, ambos também ganham seus dilemas e tempo de tela para tratar dos próprios problemas, muitos deles ocasionados pela ambição desenfreada do Pastor por encontrar o Todo Poderoso.

Aos poucos a trama vai se tornando quase um mistério cômico, levando os personagens à lugares impensados para encontrar figuras jamais imaginadas numa busca cega por àquele que, nas palavras de Custer é “quem mantém a ordem de tudo” e vai ficando a dúvida se a busca do Pastor é por uma questão de altruísmo ou simplesmente pela própria redenção.

O inferno pelo qual Eugene (Ian Colletti) passa durante toda temporada ao lado de seu fiel companheiro Adolf Hitler (Noah Taylor) também são colocados de forma brilhante durante os episódios e com certeza vão desenvolver papel importante nos anos que estão por vir.

O perfeito balanço de trama e sub-tramas vai tornando Preacher uma série imperdível, um escarcéu de cenas maravilhosas e um pouco perturbadoras. Muito provavelmente não é uma série para todos os públicos, pode desagradar muita gente, mas acima de tudo é uma adaptação maravilhosa de uma obra gigantesca e por essência, controversa.

O tom religioso visto nos quadrinhos vai ficando maior a cada episódio, Preacher vai mexendo mais e mais com a ordem lógica das coisas e do nada temos uma imagem carregada de um Deus que abandonou os céus e a humanidade, aparentemente sem aviso prévio e sem motivo, isso aliado à cenas que bagunçam o imaginário religioso das pessoas vai elevando e elevando o grau de heresia da temporada e consequentemente gerando mais burburinho.

Nisso, temos que dar os devidos créditos pra Seth Rogen e cia que não baixaram a cabeça e manteram o pensamento original do projeto, fazendo jus à obra que se prestaram a adaptar.

Utilizando-se de todos esses aspectos, a história de Custer está longe do fim e o futuro reserva mais humor profano e mais pancadaria pra ele e toda sua turma. 

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