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Blade Runner 2049 | Crítica

Blade Runner 2049
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Jared Leto, Ana de Armas, Robin Wright, Dave Bautista
Direção: Denis Villeneuve
Estreia: 5 de outubro de 2017

★★★★★

O aclamado diretor Denis Villeneuve ("A Chegada") tinha uma difícil missão: fazer uma continuação de um filme de 1982(que na época pouco chamou a atenção do público, mas que com o passar do tempo se tornaria uma obra cultuada) e não parecer que fosse mais um reboot fraco, fruto da falta de imaginação de Hollywood nos dias de hoje. Contra tudo e todos, o diretor franco-canadense entregou uma obra-prima do gênero da ficção científica, que supera em proporção e em conteúdo o filme original. 

Se esvai qualquer desconfiança a respeito da qualidade do filme logo nos primeiros minutos. A ambientação da cidade de Los Angeles 30 anos após os acontecimentos do primeiro filme, a trilha sonora e a fotografia belíssima mostram o cuidado e a reverência do diretor para com a obra original. A trama (sem nenhum spoiler) é a seguinte: Em 2049, o Agente K (Ryan Gosling) é um caçador de replicantes que após "aposentar" Sapper Morton (Dave Bautista), segue uma pista que o leva a um mistério envolvendo o novo dono da empresa criadora de replicantes, Niander Wallace (Jared Leto) e um antigo blade runner chamado Rick Deckard (Harrison Ford).

De forma genial, esse filme se aprofunda em temas complexos e filosóficos. Assim como na obra original, o drama dos replicantes é o drama humano: reproduzir e ter a consciência de existir. Ou, como nas palavras do Agente K, "ter uma alma". O espectador se encontrará por vezes encurralado pela profundidade dos diálogos e em certeiras exposições de problemas como o romance idealizado entre o personagem de Ryan Gosling e Joi (Ana de Armas), que reflete um problema maior presente também em nossa sociedade, em 2017.

O grande problema talvez seja esse: sair da sala de cinema e perceber como os temas presentes no filme são atuais e assustadores. Os outdoors com propagandas coloridas estonteantes, a idealização romântica, o problema da auto identificação como ser humano ou como sendo de alguma raça ou etnia entre outros assuntos são de extrema importância no desenvolvimento da narrativa. O que nos torna humanos? Ou mesmo, o que nos tornaria menos humanos? Essas temáticas são tratadas de maneira escancarada, através de um roteiro muito polido e claro, sem espaços para enrolações.

As duas horas e quarenta minutos podem parecer demoradas, mas de maneira nenhuma estragam a experiência do filme. Há aqui um preciosismo contido, entremeado nas linhas do roteiro de modo a não omitir informações propositais do espectador. Quanto ao arco do protagonista, há de se surpreender quem acha que chegará na sala de cinema sabendo de tudo. As reviravoltas não são forçadas, pois impulsionam a trama para frente sem se arrastar por emocionalismos baratos.

Roger Deakins (que tem no currículo obras como "Onde os Fracos não tem Vez" e "007: Skyfall") e trabalhou com Villeneuve em "Sicario" retorna para a direção de fotografia que simplesmente salta aos olhos. Os tons azulados e roxos pelos grandes prédios de Los Angeles trazem uma atmosfera noir ainda mais acentuada que no primeiro filme. O azul transfere uma carga emocional pura, enquanto o laranja reflete o conflito, o dilema. A diversa paleta de cores também é um ponto positivo, juntamente com a fumaça. O embaçado, o quase invisível é fundamental na compreensão da escala que os temas filosóficos são abordados durante a história.

As atuações são impecáveis, com destaque para Ryan Gosling e Harrison Ford. Ambos mostraram um desempenho acima de qualquer expectativa. A montagem e a edição também são impecáveis, entregando cenas de tirar o fôlego como a última luta no terceiro ato e o confronto entre Deckard e K com hologramas de Elvis Presley cantando "Can't Help Falling in Love". São cenas memoráveis, onde a visão genial do diretor encontra a capacidade criativa e artística (da equipe responsável) de entregar um conceito visual transcendental nesse longa.

Qualquer fã de cinema bem feito, mesmo que não seja o maior fã de ficção científica, deve assistir Blade Runner 2049. Definitivamente uma obra-prima não apenas do gênero, mas também do cinema como um todo. Um impecável trabalho de respeito ao material original, porém com uma nova abordagem e intenção, indo ainda mais fundo nos temas tratados no primeiro filme e criando discussões que não haviam em 1982. Além de ser um reboot extremamente bem feito, Blade Runner 2049 é um filme que precisávamos no momento em que vivemos. Agora, se você já conhece o primeiro filme e o livro de Philip K. Dick que inspirou a obra de 82, então não há porque pensar duas vezes. Vá ao cinema e assista na maior tela possível, com certeza a experiência compensará o dinheiro a mais.

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