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Mãe! | Crítica


Mãe! (Mother!)
Elenco: Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michelle Pfeiffer, Brian Gleeson, Domhnall Gleeson.
Direção: Darren Aronofsky.
Estreia: 21 de setembro de 2017.

★★★★

Um projeto de Darren Aronofsky, que desde sua produção houve muito cuidado em manter o mistério. Com a divulgação de pôsteres enigmáticos, uma sinopse cuidadosa, além de trailers eletrizantes, o enredo do filme ainda estava cercado de mistério.

A trama do ousado Mãe! gira em torno de um casal cujo relacionamento é testado quando convidados inesperados chegam à casa deles, perturbando seus dias pacíficos. Com esse trabalho Darren volta mais as suas origens tomando os planos subjetivos e até Cisne Negro como referência, e assim reforçando uma linha de autenticidade para sua carreira. 

O enredo nos coloca em um ritmo intenso, com um sentimento de contínuo clímax em quase toda a duração do filme, exigindo a completa atenção do espectador. O ponto de vista é focado na personagem de Jennifer Lawrence (Jogos vorazes, O lado bom da vida), em todo momento a câmera em planos fechados acompanha o seu rosto e o que os olhos inseguros da personagem estão contemplando. 

Talvez o fato do ponto de vista ser focado na personagem interpretada por Jennifer, seja um clamor do diretor e roteirista com a audiência , para se posicionar no lugar do que a personagem representa por trás das alegorias. E por conta da excepcional atuação de Lawrence, não é difícil sentir a empatia necessária para isso.

Se você é um espectador que gosta apenas de filmes que cheguem ao final e lhe entreguem tudo que o gostariam de oferecer, talvez Mãe! não seja um filme para você. Pois mãe! é um filme  para se discutir, pensar a respeito, ter diversas reflexões após ser exposto a essas quase duas horas de insanidade. Isso acontece, pois o longa é carregado de emblemas e possui diversas camadas para serem destrinchadas. Desse modo é provavelmente um filme que você precise assistir mais do que apenas uma vez, o fato é há muita coisa a se digerir.


O excelente uso de planos-sequência no filme juntamente com o design de som (a escolha de não possuir uma trilha sonora), facilita o envolvimento com a história e o abarcamento às emoções da personagem principal. O roteiro caminha a passos mais distantes da linha que os filmes “mais comuns” de Hollywood seguem, ou seja, é mais arriscado. Os personagens são intrigantes e cada um dos renomados atores e atrizes do elenco captaram muito bem a intensidade de seus respectivos personagens na tela, dando destaque ao desempenho de Michelle Pfeiffer (A Família, Scarface) e Jennifer Lawrence que foram extremamente talentosas (principalmente compartilhando a mesma cena).

Na camada mais superior do que os personagens representam, a mãe (Jennifer Lawrence) demonstra fragilidade e submissão o que são características divergentes as personagens mais empoderadas que a atriz costuma interpretar. Mas mesmo assim os resquícios de mensagens feministas estão expostos manifestando as brutalidades agregadas à condição de mulher, mãe e cônjuge.

Afirmar algo sobre o enredo é bastante arriscado, defini-lo em apenas um território parece um grande equivoco já que o produto final transita em gêneros e é aberto a múltiplas interpretações. Porém no enredo há uma quebra de vínculo entre as partes divididas pelas elipses temporais, mesmo justificadas para espelhar uma ideia de inicio e fim, é uma conexão um tanto frágil entre os atos, articulando algo repetitivo variando apenas o grau de fervor de algo baseado na emoção do invadido.

Encontram-se muitas referências bíblicas presentes no contexto, que remetem a uma devastação ambiental e moral em que o mundo se encontra. E esse uso de histórias bíblicas não pode ser uma surpresa, tendo em vista outro trabalho do diretor, o filme Noé, mas a surpresa fica na corajosa utilização dessas histórias como alegorias para seu filme. 

Ao questionar convicções religiosas, políticas e sociais, não é surpreendente que algumas pessoas possam sentir-se desconfortáveis. No entanto o olhar ao qual somos direcionados é de extrema importância, já que grande parte do caos que está ocorrendo no mundo atualmente é representado em um espaço bem menor, uma casa de estilo vitoriano. Sem dúvidas Aronofsky, ao dar seguimento com este projeto e as polêmicas que ele poderia criar, estava consciente do ditado popular: ‘quem fala o que quer ouve o que não quer’.


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