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Assassinato no Expresso do Oriente | Crítica


Assassinato no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express)
Elenco: Kenneth Branagh, Johnny Depp, Daisy Ridley, Michelle Pfeiffer
Direção: Kenneth Branagh
Estreia: 30 de novembro de 2017 (Brasil)

★★★★

Fazer uma adaptação literária para o cinema é sempre complicado. Fazer o remake de uma adaptação literária é uma dificuldade maior ainda. Assassinato no Expresso do Oriente levava consigo o objetivo de surpreender duplamente. A (des)vantagem, dependendo do julgamento, é que com um roteiro de Michael Green (Logan) o resultado esperado era, no mínimo, promissor.

Apesar de parecer apenas mais um longa "aventuresco", de roteiro básico e personagens caricaturados, o filme tem o encanto de ser completamente atemporal. Ao pensar que o o romance é de 1934 e a primeira adaptação é de 1974 é óbvio que se há uma expectativa grandiosa em algo produzido no século XXI, entre 2016 e 2017. Porém, Kenneth Branagh (Thor/Cinderela) traz justamente uma junção de elementos de diversas épocas criando um cenário cultural muito maior do que o esperado.

Talvez o maior problema do filme seja o olhar tendencioso que ele carrega. Por dirigir, mas também estrelar como papel principal, Branagh faz com que o enredo gire completamente em torno de seu personagem, Hercule Poirot, o detetive da trama. O elenco de peso é deixado um pouco de lado e acaba sucedendo a um desperdício de bons atores. 

Para os apreciadores do cinema-movimento, Assassinato no Expresso do Oriente é um filme chato. É recheado de diversos diálogos-chave e passa, praticamente, inteiro em um único cenário: o trem preso na neve. Entretanto, a beleza do filme se encontra, então, na capacidade de colocar tanta gente espaçosa por tanto tempo no mesmo lugar. 

A graça, torna-se, justamente, os posicionamentos de câmera e as entradas certeiras de trilha sonora. O uso de diversas técnicas de filmagem faz com que o trem transfigure-se em um panorama agigantado e faz com que o público não se sinta claustrofóbico dentro de apertados vagões. O silêncio constante durante a trama deixa a trilha sonora animadora e específica, quase que como se o público estivesse lendo o livro e imaginasse que em certa parte cairia muito bem uma música de suspense.

Por mais que não seja comum em filmes policiais e de mistério, o longa é cheio de referências, não só ao livro, como já era esperado, mas à versão de 1974 e também a obras literárias e artísticas. Vale a atenção, principalmente, quando se está caminhando para o final.

Dentro do universo filmográfico gigantesco que cada ator escolhido tem em sua bagagem cultural, provavelmente o papel mais surpreendente no enredo seja o de Josh Gad (Pixels). Conhecido por seus papeis de comédia, com aquele modelo cliché americano, Josh se sobressai com sua atuação absurdamente dramática e, talvez, a mais forte do filme, mesmo disputando o cenário com Judi Dench (Philomena) e Willem Dafoe (A Grande Muralha).

É lógico que ao falar sobre trama policial, assassinato e resolução de mistérios, o nome Sherlock Holmes vem a nossa mente bem antes que Hercule Poirot. Completamente diferente do jeito Sherlock de desvendar as coisas, Branagh, em sua direção, tenta, claramente, colocar uma visão de detetive que não leve a comparações com o "seu" rival literário e cinematográfico. Com a premissa de possuir valores, o longa traz uma indagação sobre justiça, equilíbrio e o conceito de "certo e errado". 

Assassinato no Expresso do Oriente é um filme complexamente simples e que pode ter dois finais na cabeça do telespectador: paixão absoluta ou tédio imediato. Ainda sim, independentemente de qual será o resultado, o filme vale o tempo, a tentativa e o ingresso, principalmente por trazer uma versão moderna e atualizada de Agatha Christie e um roteiro bastante fora dos blockbusters do ano. 

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