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Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica



Me chame pelo seu nome ( Call Me By Your Name )
Elenco: Timothée Chalamet, Armie Hammer, Michael Stuhbarg, Amira Casar, Esther Gamel e mais.
Direção: Luca Guadagmino.
Estreia: 18 de janeiro de 2018.

★★★★

Uma Itália dos anos oitenta de clima quente é o cenário da história de um primeiro amor. Elio (Timothée Chalamet) filho único da família Perlman está passando mais um verão preguiçoso na casa dos pais,  que muda do convencional com a chegada de um acadêmico chamado Oliver (Armie Hammer), para passar um período na casa ajudando na pesquisa de seu pai.

O ambiente tem uma divertida diversidade cultural, aspectos italianos, franceses e americanos frutos da descendência da família, além dos ares greco-romanos adventos do objeto de estudo do pai de Elio (representado por Michael Stuhbarg) e a razão da presença de Oliver na casa. Tudo isso contribui para bela estética que o filme possui, desde a arquitetura das casas, os automóveis de época cruzando ao fundo das cenas, os figurinos, as bicicletas, é tudo muito belo.

Baseado no romance de mesmo nome escrito por André Aciman e roteiro de James Ivory, além da empresa brasileira RT Features envolvida nesta produção multinacional que é mais que uma belíssima história amor, é a jornada de crescimento de Elio em suas experiências e uma declaração franca de como “a natureza tem formas astutas de encontrar seu ponto fraco”. 

Timothée Chalamet (Lady Bird) e  Armie Hammer (A rede social) entregam atuações seguras e sinceras de seus respectivos personagens, além da famigerada e aguardada química que é inegável entre os dois, que são um match perfeito da produção de elenco. 

Seguindo uma cadência delicada, dos passos tranquilos do amadurecimento, o ritmo do filme pode incomodar alguns, mas por outro lado agradar no reflexo dentro da narrativa que é construída de forma coerente e completa. Trazendo uma representatividade pura, que além de destemida e visível, não transporta nenhum questionamento moral ou social. 

O italiano Lucas Guadagmino (Um sonho de amor, Um mergulho no passado) realiza aqui o seu melhor trabalho em direção. A sua linguagem cinematográfica traz um tom realístico muito convidativo e sob seu olhar artístico tão detalhado, uma simples mosca que quase passa despercebida carrega consigo um significado forte.

Ao chegar a um dos pontos mais vulneráveis do protagonista e já depois de surpresas com as poderosas frases que brotam nos diálogos ao decorrer da trama, surge um lindo monólogo para ser admirado e acolhido inteiramente. E não achando o suficiente, a cena final chega e os créditos começam a subir concluindo de forma madura, dolorosa e talentosa (Timothée é realmente um grande destaque). Com uma assinatura de formato atípico, Me chame pelo seu nome é uma experiência cinematográfica preciosa, honesta, sensual e acima de tudo, intensa. 

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