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Eu, Tonya | Crítica

Eu, Tonya ( I, Tonya)
Elenco: Margot Robbie,  Allison Janney, Sebastian Stan, Juliane Nicholson, Mckenn Grace e mais.
Direção: Craig Gillespie
Estreia: 15 de fevereiro de 2018.
★★★★

Essa cinebiografia narra os fatos do caso da patinadora Tonya Harding (Margot Robbie) que prestes a competir nos Jogos Olímpicos de Inverno tem sua carreira finalizada com um grande escândalo. Quando seu marido Jeff Gillooly (Sebastian Stan) planejou da forma mais suja eliminar a competidora mais forte de sua esposa.

Tonya nunca esteve dentro dos padrões dos profissionais da patinação artística, suas raízes humildes e sua família disfuncional só reforçavam a antipatia dos norte americanos para engolir aos fortes goles de água seu grande talento.

Todo o elenco entrega ótimas atuações, que quando colocadas em comparação as gravações de depoimentos e as cenas gravadas a partir deles, é um tanto assustador o grau do espelhamento e da captura dos personagens (parabenizando ao mesmo tempo a equipe de direção de arte, maquiagem e figurino pela perfeita reprodução dos aspectos na ambientação dos anos 90).

 Mesmo assim o destaque no quesito atuação fica com Allison Janney interpretando LaVona Golden, mãe da patinadora que  coloca na obra um tom paradoxal com o inegável amor pela filha e simultaneamente o inegável fracasso na maternidade mostrando que o amor nem sempre está presente da forma mais bela e pura.


Não ficando atrás, Margot Robbie (que também produziu) está com uma excelente performance que parece seu desempenho mais artisticamente livre num papel, e assim sob o olhar de Tonya o filme conta a verdade da personagem em meio a uma história que tem tantas versões.

Os toques brincando com o gênero documental, o sarcasmo, a quebra da quarta parede, o tom cômico concedem ao roteiro escrito por Steven Rogers (P.S. Eu Te Amo ,Lado a Lado)um aspecto diferencial das linhas hollywoodianas, aspecto esse que sobreviveu pela produção fora dos grandes estúdios e mantendo o controle criativo com o cinema independente. 

A montanha russa de altos e baixos da vida de Tonya, as relações abusivas que mantém desde a infância compõem peças para entender de forma empática quem é ela e as motivações de suas ações.  As críticas internalizadas ficam abaixo de camadas humorísticas, mas ainda dessa forma não diminui os impactos das críticas presentes.

Com uma montagem fora do convencional, qualidade de produção e interessantíssimo desenvolvimento I, Tonya (no original) é diferente, criativo e profundo. Um espetáculo visceral do entretenimento para contar uma história real com maior autenticidade, sinceridade e sintonia. 



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