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Aniquilação | Crítica


Aniquilação (Annihilation)
Elenco: Natalie Portman, Oscar Isaac, Jennifer Jason Leigh, Gina Rodriguez, Tuva Novotnym, Tessa Thompson
Direção: Alex Garland
Estreia: 12 de março de 2018

★★★

Uma célula é a unidade estrutural e funcional dos seres vivos, e primariamente carrega o material genético do ser em questão. E o que há no DNA deste filme? Uma ficção científica, de fato. A exploração de temas amplamente capazes de serem traduzidos em metáfora e então aplicados à linguagem cinematográfica. Há também no código genético dessa película uma estranheza amedrontadora, mas que perde significância ao longo do desenrolar da trama. Pouco sobra a Natalie Portman ("Cisne Negro"), que se vira com o que tem, mas não salva "Aniquilação" de ser uma meiose de tantos outros sci-fi's.

Na trama, Portman é a bióloga Lena. Para ajudar seu marido, Kane (Oscar Isaac, de "Ex_Machina: Instinto Artificial"), ela embarca em uma expedição científica num lugar onde nenhuma lei natural é obedecida.

A montagem do filme é dinâmica, transmite a sensação de estar junto das pesquisadoras e fugindo dos perigos na estranha estrutura chamada "The Shimmer". A fotografia é interessante nos momentos mais tensos, porém algumas soluções visuais acabam mostrando demais e arruinando parte da experiência de terror pretendida por Alex Garland (roteirista de "Dredd: O Juiz do Apocalipse"). Quanto aos efeitos visuais, esses deixam a desejar em muitos momentos, mas é consistente e convence o espectador daquele universo.

O roteiro tem qualidades, pois como na campanha dentro do "Shimmer", as estranhezas e as explicações se desenrolam ao longo da trama, mantendo o suspense e o mistério no tempo suficiente para o espectador não se entediar. Falando em explicações, elas são cirurgicamente colocadas durante a narrativa. Não cansam, não são excessivamente pedantes e ajudam no entendimento do conceito do filme.

Mas, se chegarmos ao cerne de "Aniquilação", não encontraremos uma profundidade filosófica, sequer uma emotividade demasiada. Não se justifica uma vantagem narrativa do roteiro perante um argumento de pretensão intelectual da história. A reflexão sobre a própria existência humana, fazendo algumas correlações com o nosso papel no meio ambiente e até mesmo uma história de amor, são alguns dos temas que estão no bojo do roteiro. A atuação de Portman sustenta o filme, entregando uma personagem bem explorada e que é fundamental para que o longa sustente sua abordagem em relação aos assuntos explorados.

Garland entregou um filme que não impressiona ou mesmo se destaca dentre tantos outros do gênero. Porém ainda há preciosidade em sua linguagem e no roteiro, que faz de "Aniquilação" uma obra interessante. Uma história bem contada e uma forte personagem interpretada por Natalie Portman são pontos altos do filme, embora este sofra de uma doença em seus genes: genérico, sem profundidade e raso onde deveria se impor como uma grande obra de ficção científica.

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