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Círculo de Fogo: A Revolta | Crítica

Círculo de Fogo: A Revolta (Pacific Rim: Uprising) 
Elenco: John Boyega, Scott Eastwood, Cailee Spaeny, Burn Gorman, Charlie Day, Tian Jing 
Direção: Steven S. DeKnight 
Estreia: 22 de março de 2018


★★★

Lançado em 2013, "Círculo de Fogo" conquistou grande parte do público por aliar, acima de tudo, a ação insana com uma mensagem para além dos créditos. Escrito e dirigido por Guillermo Del Toro, o filme rendeu bem e garantiu uma continuação, cinco anos depois. "Círculo de Fogo: A Revolta" é tudo que imaginávamos que seria o conceito desse universo se Del Toro não fosse o diretor e roteirista. E, por incrível que pareça, isso não é necessariamente ruim.

A trama é focada em Jake Pentecost (John Boyega, de "Star Wars: Os Últimos Jedi"). Filho do herói Stacker Pentecost (interpretado por Idris Elba no primeiro filme), Jake se junta a Mako Mori (Rinko Kikuchi, de "Babel") para treinar uma nova geração de pilotos Jaeger contra uma nova ameaça Kaiju que surgiu no mundo, 10 anos após a guerra retratada no primeiro longa.

Steven S. DeKnight (que trabalhou como diretor e roteirista da série "Demolidor") apresenta um roteiro meia boca. Muito do que é falado poderia ser simplesmente mostrado na tela, e a insistência em reverenciar os personagens e a trama do primeiro filme tira um pouco da identidade do seu próprio trabalho. A história não é bem desenvolvida, e o terceiro ato (por mais que haja um elemento de imprevisibilidade) é consistentemente repetitivo e clichê. Levantar, bater no monstro, cair, levantar novamente e assim sucessivamente. Não há consequências, tudo é esquecível nesse universo. E, além disso, talvez dez minutos a mais no final ajudariam a construir melhor o desfecho da história, que pareceu acabar sem mais nem menos.

Há um bom trabalho por parte de John Boyega, que aguenta bem o tranco de protagonizar o filme, mas Cailee Spaeny merece destaque. A jovem atriz está muito bem no papel da pequena prodígio, e tem uma boa química com Boyega. As outras atuações, em especial as de personagens que já existiam no filme original, foram dentro do esperado. O personagem de Charlie Day pedia algo a mais, que ele infelizmente não entregou, se tornando caricato e pouco convincente. 

É bem evidente que essa continuação não mira no público-alvo do filme de 2013. A trilha sonora com guitarras distorcidas, o "rejuvenescimento" dos personagens principais, o ideal de líder caracterizado em Jake Pentecost, dentre outros fatores, fazem de "Círculo de Fogo: A Revolta" mais popularesco e menos vívido como a obra de Del Toro. Contudo, se é possível isolar essa versão de DeKnight, encontra-se jovialidade, ação e uma trama coerente e honesta para o universo em questão. A mudança da física da ação dos Jaegers criam mais dinâmica, mais movimento e fluidez na própria montagem. A edição é bem versátil em alguns momentos, utilizando até mesmo time lapse, que ajuda o filme a progressivamente chegar no clímax e entregar a batalha final contra os Kaijus.

O filme não ofende o que já foi estabelecido. Apenas repagina o conteúdo para um público mais interessado em outras nuances deste universo. Nesse caso, as cenas de lutas e a ação em geral é um exemplo. É uma missão quase impossível esquecer a obra de Del Toro para analisar a sequência, devido inclusive à expectativa criada com uma continuação de um filme que surpreendeu positivamente o público na época. Porém, "Círculo de Fogo: A Revolta" é divertido e entretém na medida do possível. Os novos personagens devem agradar o público pela simplicidade e a devida atenção à construção de cada um deles. Definitivamente um bom filme, mas que não fica na sombra do primeiro. Ele se posiciona mais ao lado, ainda sendo um "Círculo de Fogo", mas definindo seu próprio tom com ousadia e reverência.

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